O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André
Mendonça decidiu manter a prisão preventiva do empresário Tiago Schettini
Batista, apontado pela Polícia Federal (PF) como sócio oculto do lobista
Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A decisão sigilosa foi obtida
pela coluna.
Tiago Schettini é apontado como um dos controladores
da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca (CBPA), investigada por
fraudar descontos de mensalidade nas aposentadorias do INSS. Ele está nos
Estados Unidos desde dezembro do ano passado e, por isso, ainda não foi preso.
O empresário viajou ao país às vésperas da Operação Sem Desconto.
A defesa de Tiago Schettini havia solicitado ao
ministro André Mendonça a substituição da prisão preventiva por medidas
cautelas diversas. O magistrado negou o pedido nessa terça-feira (28/4).
“O quadro fático narrado pela própria petição
evidencia que o investigado [Tiago Schettini] mantém atuação empresarial
relevante, inclusive internacional, com capacidade de mobilização econômica e
operacional, circunstância que, longe de neutralizar as cautelas, recomenda
prudência na avaliação do risco processual, especialmente diante da gravidade
concreta dos fatos investigados e da necessidade de preservação da eficácia da
persecução penal”, escreveu o ministro do STF.
“A afirmação de que não houve fuga, por si só, não
afasta a preocupação legítima com a aplicação da lei penal, notadamente quando
o investigado permanece no exterior e a ordem de prisão ainda não foi
cumprida”, prosseguiu André Mendonça.
Procurada, a defesa de Tiago Schettini não se
manifestou sobre a decisão.
Mensagens revelam atuação de sócio oculto do Careca
do INSS para se blindar
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam a
atuação do empresário Tiago Schettini Batista para se blindar e não ser identificado
como sócio do Careca do INSS na criação de uma empresa de call center.
Schettini chegou a dizer que era necessário esconder
“meu nome do dígito do Antônio”.
Ainda nas conversas, Schettini afirmou: “Onde entra
meu nome, fode. Por causa das investigações e das dívidas”. Procurada, a defesa
pontuou que é “errada a suposição de que Tiago era sócio de qualquer empresa da
qual não figura no quadro societário”.
De acordo com os relatórios da apuração policial, o
esquema de ocultação ficou evidente durante as tratativas para a criação de uma
empresa de teleatendimento, a ACDS Call Center Ltda (Truetrust Call Center).
Tácio Lorran - Metrópoles

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