Com o endividamento recorde no país, as famílias
brasileiras têm observado menos dinheiro para o consumo além dos itens básicos,
pagamento de impostos e dívidas.
O avanço do endividamento no Brasil tem reduzido
cada vez mais o dinheiro disponível das famílias após o pagamento de despesas
básicas, impostos e dívidas. Segundo levantamento da Tendências
Consultoria, a renda que sobra no orçamento dos brasileiros caiu ao menor nível
desde 2011.
Em fevereiro de 2026, apenas 21% da massa de renda
das famílias permaneceu disponível após os gastos essenciais. No mesmo período
do ano passado, o índice era de 23%.
O estudo considera rendimentos do trabalho,
benefícios sociais, aposentadorias e outras fontes de renda, descontando
despesas como moradia, alimentação, transporte, saúde, impostos e pagamento de
juros e empréstimos.
A consultoria aponta que o peso das dívidas aumentou
ao longo de 2025, impulsionado pela procura por linhas de crédito emergenciais,
que costumam ter juros mais altos.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo mostram que o percentual de famílias endividadas
chegou a 80,9% em abril, novo recorde da série histórica. Já o Banco
Central do Brasil informou que o comprometimento da renda com dívidas
alcançou 29,7% em fevereiro.
Especialistas apontam a taxa de juros elevada e a
situação fiscal do país como fatores que dificultam a redução do endividamento.
Nesse cenário, o governo lançou uma nova versão do Desenrola, programa de
renegociação de dívidas.
Apesar disso, entidades e economistas avaliam que a
medida pode apenas aliviar temporariamente a situação das famílias, sem
resolver o problema estrutural do endividamento no país.

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