quarta-feira, 13 de maio de 2026

A resistência de aliados de Lula à ida de Messias para o Ministério da Justiça

 


A eventual ida do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Ministério da Justiça enfrenta resistência no entorno do presidente Lula, especialmente do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa.

O atual titular da Justiça, Wellington César Lima e Silva, é aliado de Costa e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), integrando a chamada “ala baiana” da administração petista. Costa e Wagner também são considerados alvos em potencial de uma delação premiada do executivo Daniel Vorcaro, que tinha conexões com o PT baiano.

Além da preocupação com o caso Master, esses aliados de Lula temem que a transferência de Messias para o Ministério da Justiça tensione ainda mais as conturbadas relações do Palácio do Planalto com a cúpula do Congresso – como Davi Alcolumbre, (União Brasil-AP), que chegou a dizer ao presidente que está sendo perseguido pela PF e pedir a Lula que lhe ajudasse a conseguir algum tipo de blindagem contra o avanço das investigações.

Isso porque Alcolumbre foi o principal articulador da rejeição da indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), costurando uma aliança que colocou do mesmo lado o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a tropa de choque bolsonarista no Senado – e o ministro Alexandre de Moraes, que temia que a ida de Messias para o Supremo fortalecesse o atual relator do caso Master, André Mendonça.

Cabo eleitoral de Messias em sua fracassada campanha para o STF, o relator do caso Master, André Mendonça, é hoje o maior contraponto de Moraes no tribunal.

Agora, o governo precisa da boa vontade de Alcolumbre na tramitação de pautas prioritárias, como o fim da escala de trabalho 6 por 1.

Até mesmo entre interlocutores de Messias há a preocupação de que a transferência do atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) dê munição ao discurso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de vingança e perseguição em caso de qualquer operação policial.

“Qualquer operação da PF contra algum parlamentar vai parecer vingança de Messias”, comentou um aliado de Alcolumbre que pediu para não ser identificado.

Na semana passada, uma das principais lideranças do Centrão, o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), foi alvo de uma operação de busca e apreensão no bojo das investigações do caso Master, o que acendeu o sinal de alerta de Alcolumbre e outros dirigentes partidários sobre o perigo de serem os próximos alvos.

Cortesia

As limitações orçamentárias da pasta da Justiça e os desgastes da gestão Lula no enfrentamento da questão da segurança pública também são outros fatores apontados como obstáculos para a troca.

Em postagem em suas redes sociais nesta terça-feira (12), Messias fez um gesto de cortesia a Wellington, ao postar foto de uma audiência com o atual titular da Justiça na sede da AGU, em Brasília.

“Foi um encontro muito produtivo, no qual debatemos diversos projetos de interesse nacional”, escreveu Messias. “Desejei pleno sucesso a toda a equipe do MJSP [Ministério da Justiça e Segurança Pública] na implementação do plano recentemente lançado de combate ao crime organizado.”

Malu Gaspar - O Globo

 

 

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