O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1
no Congresso ganhou ritmo acelerado após o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), encaminhar uma PEC à Comissão de Constituição e Justiça,
abrindo oficialmente a tramitação do tema. A movimentação ocorre em meio a um
ambiente político cada vez mais influenciado pelo calendário eleitoral e pela
disputa de narrativas sobre direitos trabalhistas.
A informação é do colunista William Waack,
da CNN. O governo federal tenta carimbar a pauta como
bandeira própria e articula um projeto de lei em regime de urgência para
reduzir a jornada sem corte salarial. Paralelamente, outro texto que já avançou
no Senado prevê a diminuição da carga semanal de 44 para 36 horas, ampliando a
pressão sobre deputados para acelerar a discussão.
Especialistas apontam, no entanto, que a redução da
jornada já ocorre por meio de negociações coletivas, muitas vezes abaixo das 40
horas semanais. Para o sociólogo José Pastore, a imposição por lei pode ignorar
diferenças entre setores econômicos e transformar uma discussão complexa em
promessa política de curto prazo.
Críticos alertam que mudanças obrigatórias sem
análise de impacto podem gerar inflação, aumento da automação e até enxugamento
de empregos, enquanto o debate segue dominado pelo apelo popular da proposta —
combustível perfeito para o clima pré-eleitoral que tomou conta do Congresso.

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