A relação entre decisões tomadas por Rui Costa (PT)
quando era governador da Bahia e o crescimento do Banco Master entrou no radar
político nacional nas últimas semanas, impulsionada por reportagens e pela
ofensiva da oposição no Congresso. Hoje ministro-chefe da Casa Civil e um dos
principais nomes do governo Lula, Rui Costa passou a ser citado como peça-chave
na engrenagem que teria ajudado a consolidar o banco em um nicho lucrativo: o
crédito consignado para servidores estaduais.
O ponto mais sensível, apontado em matérias
publicadas na imprensa, é um decreto assinado por Rui Costa em janeiro de 2022
que alterou regras de portabilidade de empréstimos consignados ligados ao
programa Credcesta.
Na prática, segundo as reportagens, a norma
restringiu as hipóteses de troca de instituição financeira por parte dos
servidores, o que teria dificultado a migração para bancos com juros mais
baixos e reforçado a posição do Master nesse mercado. O decreto é citado como
ainda vigente, e servidores teriam recorrido ao Judiciário para tentar
desvincular contratos do Banco Master.
Em entrevistas e declarações registradas por
veículos de imprensa, Marinho afirmou haver uma história “que precisa ser
contada” e defendeu investigações parlamentares, incluindo a instalação de CPI
ou CPMI para apurar a atuação do banco, suas conexões e eventuais
favorecimentos.
A crítica da oposição tenta colar a expansão do
Master a um caminho aberto por atos administrativos e pela estrutura de
consignado, justamente por ser um mercado em que a estabilidade do desconto em
folha dá segurança à operação e amplia o potencial de receita.
Nesse enredo, o decreto de 2022 vira símbolo: não é
apenas uma regra técnica, mas um gesto que, na leitura dos críticos, travou a
concorrência e amarraria o servidor a condições menos vantajosas, enquanto
beneficiaria um grupo financeiro específico.
Do lado do governo, a discussão expõe um flanco:
quanto mais o caso Banco Master avança no noticiário nacional, mais o passado
administrativo de Rui Costa na Bahia tende a ser reexaminado como parte do
contexto que permitiu ao banco ganhar tração.
E, em Brasília, a denúncia de Rogério Marinho funciona
como combustível para transformar o tema em disputa política e em pressão
institucional por investigações, num momento em que a oposição busca um fato
com alcance nacional para constranger o núcleo duro do Planalto.

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