sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Varejo do RN lidera perdas no NE e tem 2ª maior queda do país em janeiro

 


O Rio Grande do Norte registrou a maior queda no varejo entre os estados da região Nordeste e o segundo pior desempenho no Brasil. Em janeiro, o Índice do Varejo Stone Restrito do RN apresentou uma diminuição de -7,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho do estado potiguar só não foi pior do que o registrado no Rio Grande do Sul, que teve retração de -10,2%.

De acordo com o índice, todos os estados da federação registraram queda em janeiro, com exceção do Amapá, que cresceu 2,9%. As menores variações negativas ocorreram no Maranhão (-0,1), Pará (-0,4%), Piauí (-1,0) e Roraima (-1,1%). As maiores quedas, além de RN e RS, foram registradas no Amazonas (-7,3%), Santa Catarina (-6,5%), São Paulo e Distrito Federal (-6,4%) e Espírito Santo (-6,2%).

Os dados são do último relatório da Stone sobre o mercado varejista brasileiro. Na pesquisa, termo “restrito” significa que são excluídos do levantamento os segmentos de materiais de construção, veículos e peças e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (Atacarejo).

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon/RN), aponta que o resultado do Rio Grande do Norte seguiu uma tendência nacional de queda no varejo. O cenário é comum no mês de janeiro, período em que os consumidores diminuem os gastos para arcarem com despesas relativas às festas de fim de ano.

De acordo com o relatório da Stone, no panorama nacional o índice restrito recuou -0,9% em janeiro, na comparação mensal. Já na comparação anual, ante janeiro do ano passado, a queda foi mais acentuada, de -5,6%.

“O varejo do Rio Grande do Norte está dentro do mesmo cenário nacional, onde foi observado que a queda deste ano ocorreu de forma generalizada e em todos os segmentos comerciais, alcançando os setores do combustível, farmácia, vestuários e calçados”, aponta o superintendente do Corecon/RN.

Além da necessidade de equilíbrio nas despesas, fatores macroeconômicos favoreceram o cenário de retração no varejo. Ricardo Valério destaca que a taxa Selic em 15%, além do endividamento das famílias deixaram o consumidor mais seletivo. Ademais, alguns gastos comuns no início do ano, a exemplo do pagamento de tributos como IPVA e IPTU, pressionaram ainda mais o orçamento das famílias.

O relatório da Stone traz uma análise semelhante, destacando o mercado de crédito como fator predominante para o menor desempenho do varejo. “Com juros reais elevados, o endividamento das famílias e o comprometimento de renda com o serviço da dívida seguem pressionando o consumo”, aponta o documento.

No desempenho por setor, em todo o país apenas o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou variação positiva em janeiro, com alta de 1,4%. Ricardo Valério aponta, contudo, que o setor não deixou de ser atingido, embora com menos intensidade, com leve redução no faturamento dos supermercados.

Apesar da queda observada neste mês, o superintendente do Corecon/RN aponta para um cenário de recuperação do segmento com a desvalorização do dólar frente ao real, queda da inflação e início da redução gradual da taxa Selic a partir de março deste ano. Além disso, a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil, que entrou em vigor neste ano, deve favorecer o maior incremento de recursos na economia.

“O varejo potiguar brilhou em 2025, sempre acima da média nacional. Acreditamos que teremos um bom desempenho em 2026, pois o comércio do Rio Grande do Norte e o setor de serviços continua latente e responsável por mais de 72% da nossa economia. A recuperação do varejo já deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano”, completa Ricardo Valério.

 

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