Enquanto agentes da Controladoria Geral da União e
Polícia Federal concluíam as diligências da busca e apreensão da Operação
Mederi, da qual foram alvos prefeitos e agentes públicos de cinco municípios, o
chefe do Executivo de Mossoró, apontado pela PF como artífice de um desvio de
esquemas na saúde, gravou um conteúdo para o Instagram em que contou que fora
apreendido em sua casa em Mossoró um telefone celular e que ele nada tinha a
esconder.
Documentos obtidos pelo Blog do Dina, no entanto,
desmontam essa versão e revelam que o prefeito Allyson Bezerra omitiu da versão
pública itens apreendidos e, em confronto direto com a versão de que nada tem a
esconder, se recusou a dar as senhas dos aparelhos apreendidos pela Polícia
Federal.
Na manifestação que gravou para o Instagram, Allyson
diz que teve um telefone apreendido, um notebook e dois HDs pessoais.
O auto de apreensão que descreve os itens coletados
na casa do prefeito de Mossoró, no entanto, revela que ele tinha três aparelhos
telefônicos, sendo um deles um modelo Positivo, conhecido por ser um telefone
descartável, sem a necessidade de conexão com a internet. Os itens que
realmente foram apreendidos na casa do prefeito de Mossoró e que não constam
inteiramente no conteúdo do Instagram foram:
tem 1: Um iPhone cor grafite, acompanhado de chip
TIM.
• Item 2: Um iPhone Pro Max cor azul (descrito no
auto como “iPhone17ProMax”, provável erro de digitação para 15), encontrado no
interior de uma mochila de uso pessoal.
• Item 3: Um MacBook Air, marca Apple, com capa
“Sonix”, também encontrado na mochila pessoal.
• Item 4 e 5: Dois HDs Externos (um WD Elements e um
Seagate), encontrados na mochila pessoal,.
• Item 6: Um Pen drive preto.
• Item 7: Um telefone celular marca POSITIVO (modelo
simples), encontrado no escritório da residência.
• Item 8: Um cartão de memória MicroSD Kingston de
16GB
Noutro trecho de seu vídeo, Allyson diz que tem
interesse em colaborar com as investigações e que fornecerá as informações que
lhe forem pedidas.
No auto de apreensão, os agentes da Polícia Federal
afirmam que fora solicitadas as senhas dos dois iPhones e do Macbook e que o
prefeito se recusou a dar as senhas. A identificação serial dos aparelhos foram
suprimidas para não expor ao público dados que possam comprometer a investigação.
A Polícia Federal cumpriu ainda mandado de busca e
apreensão em um apartamento localizado na Rua da Lagosta, nº 466, Edifício
Corais de Ponta Negra, Bloco D, apartamento 2803, na zona Sul de Natal. A
diligência foi realizada pela Equipe 17 da PF.
Segundo o auto, os agentes chegaram ao local por
volta das 6h da manhã. Como não houve resposta aos chamados, a equipe aguardou
até as 8h, quando foi acionado um chaveiro para a abertura da unidade,
procedimento classificado como “arrombamento técnico”, autorizado
judicialmente. A ação foi acompanhada por duas testemunhas, Hugo Freire da
Silva e Kleber Skolimoski de Aguilar.
No interior do imóvel, não havia moradores no
momento da diligência. Ainda assim, os policiais relataram “sinais de presença
recente” e localizaram diversos objetos pessoais que, segundo o relatório,
indicam o uso do apartamento pelo prefeito Allyson Bezerra e sua família.
Entre os itens registrados no relatório fotográfico
estão um caderno com o nome “Allyson” na capa, contendo anotações manuscritas
de cunho religioso, incluindo a citação do Salmo 37:23-24, que diz: “O Senhor
firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada…”, com assinatura
atribuída a “Allyson e Família”.
Os agentes ainda registraram a presença de roupas de
criança e bebê dispostas sobre a cama, indicando o uso do imóvel pela filha do
casal, além de uma etiqueta de bagagem em couro com as iniciais “AB” e um
cartão de visita preenchido com o nome “Allyson Bezerra” e endereço em Mossoró.
Diferentemente da busca realizada na residência em
Mossoró, onde foram apreendidos equipamentos eletrônicos e dispositivos de
armazenamento, o auto circunstanciado referente ao endereço de Natal não
registra apreensão de materiais de interesse criminal. A tabela de bens apreendidos
aparece riscada, o que, segundo o padrão do documento, indica ausência de
apreensões no local.
A diligência em Natal teve como principal resultado
a confirmação do vínculo do investigado com o imóvel na capital, a partir de
objetos pessoais, registros manuscritos e indícios de uso recente pela família.
Blog do BG



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