Um relatório de quase 200 páginas da Polícia Federal
colocou o ministro do STF Dias Toffoli no centro de novas suspeitas ao apontar
ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de convites
pessoais e conversas sobre pagamentos relacionados ao resort Tayayá,
empreendimento ligado à família do magistrado. O documento, classificado nos
bastidores do Supremo como “nitroglicerina pura”, está nas mãos do presidente
da Corte, Edson Fachin, que avalia um possível afastamento de Toffoli da
relatoria do caso.
A informação é da colunista Malu Gaspar,
do jornal O Globo. Embora a PF não tenha pedido formalmente
a suspeição, o material descreve telefonemas, trocas de mensagens e negociações
envolvendo a empresa Maridt, ligada ao resort. O próprio Toffoli admite a
aliados ter recebido valores da companhia, afirmando que os repasses seriam
legais por ele também ser sócio do negócio. Investigadores, porém, destacam a
proximidade entre Vorcaro e interlocutores que trataram do empreendimento, o
que aumentou a pressão interna na Corte.
O caso ganhou ainda mais tensão após decisões
controversas do ministro no processo, como a centralização das provas no
Supremo, a imposição de sigilo e embates diretos com a Polícia Federal sobre
prazos e acesso a materiais. Integrantes da corporação avaliam que as medidas
reforçaram dúvidas sobre a imparcialidade da condução das investigações
envolvendo o banco.
Em nota, Toffoli classificou as conclusões da PF
como “ilações” e disse que o órgão não tem legitimidade para pedir sua
suspeição. Nos bastidores, porém, o relatório já provoca desgaste político e
jurídico dentro do STF, ampliando o debate sobre limites éticos entre relações
pessoais e decisões judiciais em processos de grande impacto.

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