OPINIÃO E ANÁLISE – No Rio Grande do Norte, parece
que o cheiro de pólvora das operações da Polícia Federal não incomoda o olfato
de certos políticos. Em um movimento que desafia a lógica da moralidade
pública, o prefeito de Tangará, Augusto Alves, e seu vice, decidiram formalizar
apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado.
O detalhe? O anúncio ocorre enquanto a poeira da Operação Mederi ainda nem
baixou.
Aliança Sob Suspeita
A Operação Mederi, deflagrada pela PF e pela CGU no
final de janeiro de 2026, colocou Allyson Bezerra no centro de um furacão. As
investigações apontam para um esquema de desvios milionários na saúde, com
áudios que sugerem o recebimento de propina. Enquanto a população de Mossoró e
do RN espera explicações reais sobre os contratos de quase R$ 10 milhões com
empresas suspeitas, o prefeito de Tangará prefere ignorar os fatos e garantir
seu quinhão no projeto de poder para 2026.
O "Clube dos Investigados"?
O gesto das lideranças de Tangará não é apenas um
apoio político; é uma mensagem clara de que, para eles, as investigações da
Polícia Federal são mero "ruído". Ao se aliar a um gestor que teve
celulares e documentos apreendidos por suspeita de corrupção, a prefeitura de
Tangará sinaliza que a prioridade é o acordo partidário, e não a transparência.
O Blindado de Vidro: Allyson tenta vender a imagem
de "gestor eficiente", mas a Mederi revelou rachaduras profundas
nessa narrativa.
O Apoio de Conveniência: Para o prefeito de
Tangará, estar ao lado da "máquina" mossoroense parece valer o risco
de se associar a um nome sob investigação.
O Povo em Segundo Plano
Enquanto os prefeitos se reúnem em jantares e
eventos para posar para fotos de apoio, a saúde pública — pivô das
investigações da PF — continua sendo a maior vítima. É irônico que o apoio
venha justamente no momento em que se investiga se o dinheiro que deveria
comprar remédios foi parar em bolsos de políticos.
A população de Tangará e de todo o Rio Grande do
Norte deveria questionar: quem esses apoios realmente beneficiam? O cidadão que
precisa de um hospital ou os políticos que precisam de um abrigo seguro para
2026?
Nota Crítica: A política potiguar repete o velho
vício de fechar os olhos para o crime organizado dentro do Estado em nome de
uma "união" que só serve aos detentores do mandato. O abraço em
Tangará é, na verdade, um tapa na face da ética.

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