segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Novas denúncias de superfaturamento em Mossoró após operação que envolveu prefeito Allyson Bezerra

 



O vereador Cabo Davidson, de Mossoró, afirmou em entrevista exclusiva ao BNews Natal que pretende levar ao conhecimento do Ministério Público um novo conjunto de documentos que, segundo ele, apontam indícios de superfaturamento em contratos da Prefeitura que extrapolariam a área da saúde.

As declarações ocorrem no contexto da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga possíveis desvios de recursos públicos.

De acordo com o parlamentar, além do que já é apurado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), ele próprio reuniu documentos que indicariam diferenças expressivas entre valores pagos pelo município e preços praticados no mercado em outros setores da administração.

“Isso não é narrativa política. São notas fiscais, contratos e quadros de medição que demonstram indícios claros de superfaturamento”, afirmou.

Novos contratos sob questionamento

Entre os exemplos citados, o vereador mencionou contratos ligados ao projeto Estação Natal. Segundo ele, um item teria sido adquirido por R$ 640 a unidade, enquanto produto semelhante poderia ser encontrado no mercado por cerca de R$ 87.

Ao multiplicar o valor pela quantidade adquirida, o parlamentar afirma que o possível sobrepreço ultrapassaria R$ 80 mil apenas nesse item.

Outro caso citado envolve a locação de um gabinete institucional no condomínio Atma Business. De acordo com Cabo Davidson, o aluguel mensal seria de R$ 10.600, enquanto o valor médio de mercado estaria em torno de R$ 3.500.

Licitações presenciais na “janela” da nova lei

O vereador também contestou a declaração do prefeito Allyson Bezerra de que as licitações estariam ocorrendo exclusivamente de forma eletrônica.

Segundo ele, documentos em sua posse indicam que diversos processos ocorreram presencialmente durante a transição entre a Lei 8.666/1993 e a Lei 14.133/2021.

Para o parlamentar, a modalidade presencial pode facilitar direcionamentos e reduzir a concorrência.

“Os aditivos são previstos em lei, mas a sucessão deles levanta suspeitas e precisa ser fiscalizada”, declarou.

Ele citou contratos que, somados, ultrapassariam R$ 140 milhões, incluindo obras como o Anel Viário, o Hospital Municipal, o Centro de Tecnologia (CETEC) e o Mercado Central, todos com aditivos que chegariam a 20%.

Requerimentos, Ministério Público e proposta de CEI

Cabo Davidson informou que, com o fim do recesso legislativo, apresentará requerimentos formais na Câmara Municipal de Mossoró para obtenção de memórias de cálculo, estudos de preços e processos licitatórios completos.

A partir desses documentos, pretende protocolar notícia de fato junto ao Ministério Público.

Paralelamente, articula a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Segundo ele, cinco assinaturas já foram obtidas, sendo necessárias sete para a instalação da comissão.

A CEI permite acesso a documentos que não estão disponíveis ao público e garante uma prestação de contas clara à população, sem comprometer o sigilo das investigações em curso”, explicou.

Rompimento com o MDB e divergência partidária

O vereador também comentou a nota divulgada pelo MDB, que manifestou confiança na inocência do prefeito.

Segundo Cabo Davidson, há divergência profunda entre sua atuação parlamentar e a posição da legenda. Ele afirmou que pretende solicitar carta de anuência para deixar o partido por justa causa.

“O mandato é do povo. Não posso mudar minha postura para atender orientação partidária”, afirmou.

Ele confirmou que tentou contato com a direção estadual do MDB, presidida pelo vice-governador Walter Alves, e que aguarda retorno formal.

Defesa das instituições e rejeição a uso político

Ao longo da entrevista, o vereador rechaçou a tese de uso político da Operação Mederi, lembrando que as investigações tiveram início ainda em 2023, antes do atual cenário eleitoral.

Para ele, questionar a legitimidade da operação significa descredibilizar a Polícia Federal, a CGU e o Judiciário.

“Eu acredito nas instituições e vou continuar fiscalizando. Não tenho medo de retaliação política”, concluiu.

BNews Natal

 


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