Lula jogou Geraldo Alckmin na frigideira na
quinta-feira —"Tem um papel a cumprir em São Paulo"— e diminuiu o
fogo da fritura no sábado —"Sempre digo que na minha vida as coisas só
acontecem porque Deus quer, e Alckmin é uma dessas coisas." Alheia ao
vaivém retórico, a banda lulista do MDB conversa sobre a ocupação da vice de
Lula como se Alckmin já fosse versa. As informações são do UOL.
Antes do Natal, Lula discutiu com os senadores
Renan Calheiros e Eduardo Braga a hipótese de incorporar o MDB à sua coligação.
Foi informado de que as chances seriam maiores se a transação incluísse a vaga
de vice. Ao falar em voz alta sobre o que era sussurrado apenas longe dos
refletores, Lula como que destampou a frigideira.
Em entrevista ao Globo, o ministro dos Transportes
Renan Filho soltou sua língua da coleira. Disse que Lula "está verificando
qual é a melhor aliança que amplia a possibilidade de reeleição."
Referiu-se à vaga de Alckmin como uma oportunidade em aberto: "Haverá um
novo debate sobre isso."
Do modo como soou, Renan Filho não considera
negligenciável a alternativa de trocar o plano regional por uma aventura
nacional: "Sou pré-candidato ao governo de Alagoas. E vou participar da
discussão" sobre a posição de vice na chapa de Lula.
Supervalorizando o seu partido, o filho de
Renan Calheiros disse que Lula precisa de uma frente maior do que o PT e mais
ampla do que ele mesmo. Abraçado a legendas como o MDB, ocuparia o "centro
político". E isolaria o bolsonarismo "na extrema direita." Acha
que a pulverização da direita e a saída de Tarcísio de Freitas da corrida
presidencial levam água para esse moinho.
Sem rodeios, o filho de Renan Calheiros
declarou que o eventual acerto de Lula com o MDB inclui "a composição da
chapa" presidencial. Tanta desenvoltura deixou irritados os aliados de
Alckmin. Um dirigente do PSB, partido do vice, ironizou a articulação de Lula
com o MDB:
"Na festa de aniversário do PT, neste
sábado, o presidente atribuiu a Deus a entrada de Alckmin na chapa de 2022.
Puxada de tapete não é coisa de Deus, sobretudo quando atinge uma pessoa leal
como o Alckmin. A última vez que Lula enfiou o MDB numa chapa presidencial deu
em Michel Temer e no impeachment da Dilma."

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