O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas
de forma ilegal pela Receita Federal. Além dele, até agora a mulher do ministro
Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e uma ex-enteada do
decano Gilmar Mendes também tiveram dados consultados irregularmente. Um dos
servidores investigados no caso, Ricardo Mansano de Moraes foi demitido nesta
quinta-feira, 19.
A nova descoberta foi feita a partir da ordem de
Moraes para a Receita rastrear seus sistemas e descobrir a origem de eventuais
vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e parentes deles. A
apuração está sob sigilo e foi inserida no inquérito das fake news, aberto em
2019 para investigar ataques a integrantes do tribunal.
O resultado parcial do rastreamento foi confirmado
pelo Estadão com fontes que tiveram acesso à investigação. O caso do filho de
Fux foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles. Ainda segundo essas fontes,
foram acessados de forma ilegal dados de cerca de cem pessoas. Procurado, o STF
não se manifestou sobre as novas revelações do caso.
De acordo com o Supremo, quatro servidores foram
alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal aberta na
terça-feira, 17. Todos eles foram proibidos de exercer função pública e de
ingressar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados
(Serpro) e da Receita. Também estão impedidos de acessar as bases de dados dos
dois órgãos. Os suspeitos tiveram ainda os passaportes retidos.
Parte do STF está incomodada com a ordem de
rastreamento nos sistemas da Receita. Segundo ministros aliados a Edson Fachin,
presidente da Corte, essa determinação deveria ter partido do comando do
tribunal, e não de Moraes.
As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e
seus familiares foram vazados surgiu após a Operação Compliance Zero, que
investiga o Master. Em dezembro, foi revelado um contrato firmado pela mulher
de Moraes para atuar na defesa dos interesses do Master e de Vorcaro no Banco
Central, na Receita e no Congresso.
Jovem Pan

Nenhum comentário:
Postar um comentário