Em outubro deste ano os brasileiros vão às urnas
escolher não só o próximo presidente da República, mas também governadores e
quem irá compor o Congresso Nacional pelos próximos quatro anos.
Para esse tabuleiro, alguns candidatos optam
por mudar seus domicílios eleitorais. É o caso, por exemplo:
do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), do
RJ para SC;
da ministra do Meio Ambiente e Mudança
Climática, Marina Silva (Rede), do AC para SP;
e da ministra do Planejamento e Orçamento do
Brasil, Simone Tebet (MDB), do MS para SP.
Tal decisão envolve uma série de fatores, como, por
exemplo, a quantidade de vagas por estado para cada cargo. No caso de
candidaturas ao Senado Federal, neste ano cada estado elegerá dois novos
candidatos para as três cadeiras previstas. Para deputados federais esse número
varia de acordo com a quantidade de habitantes de cada unidade da federação.
O cientista político da FGV (Fundação Getúlio
Vargas) Leonardo Paz Neves diz que são alguns componentes que fazem com que um
determinado político escolha mudar de domicílio eleitoral.
"De maneira geral, o mais óbvio é a disputa no
partido. Muitas vezes numa mesma legenda tem dois, três caciques políticos, ou
pessoas que estão ambicionando mais ou menos as mesmas legislaturas e, saindo
do nível de vereador e deputado estadual para cima, tem relativamente pouco
espaço", argumenta o cientista político.
Ele relembra ainda o caso da família Sarney.
"Você teve o ex-presidente José Sarney indo
para o Amapá disputando o Senado e deixa a filha dele, a Rosana Sarney, no
Maranhão. Então, eles não ficam disputando consigo mesmos as vagas no
Senado", cita Paz Neves.
Eduardo Grin, professor da FGV, diz que Sarney
passou duas décadas sendo parlamentar pelo Amapá "porque pelo cálculo
político seria mais fácil o MDB, partido dele, ter um senador num estado, em
tese, menos difícil".
"Então é sempre esse o cálculo, agora é claro,
precisa ter uma estratégia partidária bem definida", prossegue Grin.
Uma outra questão levantada por Paz Neves é o
"posicionamento do eleitorado de cada praça".
No caso específico de Carlos Bolsonaro, que já
anunciou que disputará o Senado por Santa Catariana, os dois professores
lembram que essa é uma região bem alinhada aos pensamentos e ideologias da
família Bolsonaro.
"Ele até poderia ser eleito no Rio de Janeiro,
mas com mais dificuldade, porque no Rio de Janeiro tem outros candidatos com
potencial eleitoral", pontua Eduardo Grin.
"O cálculo é sempre pensar onde será mais
viável o partido atingir sua estratégia", acrescentam os professores.
A conjuntura toda, de acordo com Paz Neves, é
formada por espaço dentro do partido, disputas internas e competitividade em
cada estado.
"Tem o espaço dentro do partido, sua disputa
por determinadas vagas, tem a disputa com outras personalidades de alta
estatura e com muita competitividade na sua praça eleitoral que vão te
deslocar. Ou você busca o eleitorado em que você acha que você tem uma alta
chance de ganhar naquela praça", destaca o cientista político.
De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral),
cada candidato precisa registrar o domicílio eleitoral no local em que pretende
concorrer há pelo menos seis meses antes da data da votação. É preciso também
que a filiação partidária seja aprovada no mesmo prazo.
CNN Brasil

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