Um mês após a captura do líder chavista Nicolás
Maduro em uma operação militar anunciada pelos Estados Unidos, a Venezuela vive
uma reviravolta política e econômica marcada por mudanças rápidas no governo e
na exploração do petróleo. Desde os bombardeios em Caracas, na madrugada de 3
de janeiro, o país passou a ser comandado interinamente por Delcy Rodríguez,
enquanto Washington ampliou sua influência nas decisões estratégicas
venezuelanas.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados
para Nova York e respondem a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e
conspiração, das quais se dizem inocentes. Paralelamente, o governo interino
iniciou reformas profundas, incluindo alterações na Lei de Hidrocarbonetos que
abrem espaço para empresas estrangeiras explorarem petróleo sem a exigência de
maioria da estatal PDVSA, além da retomada do envio de petróleo aos Estados
Unidos.
O período também foi marcado por uma aproximação
diplomática inédita entre Caracas e Washington, com a previsão de reabertura da
embaixada americana e encontros diretos entre autoridades venezuelanas e
representantes dos EUA, incluindo o diretor da CIA. Enquanto Donald Trump
chegou a insinuar controle sobre o governo venezuelano, Delcy Rodríguez passou
a alternar discursos de cooperação e defesa da soberania nacional.
Outro efeito direto da nova conjuntura foi a
libertação de centenas de presos políticos. Segundo a ONG Foro Penal, ao menos
344 pessoas foram soltas desde janeiro, embora ainda existam centenas de
detidos aguardando decisões judiciais, cenário que mantém a Venezuela sob forte
atenção internacional mesmo após a queda de Maduro.

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