sábado, 31 de janeiro de 2026

Setores apontam gargalos que limitam crescimento do PIB do RN em 2026

 


O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte em 2026 deve ser limitado por gargalos estruturais que freiam um desempenho mais robusto das atividades econômicas do Rio Grande do Norte, conforme avaliam representantes dos principais setores da economia potiguar. Entraves como dificuldades logísticas, restrições de crédito, insegurança hídrica e limitações na infraestrutura, além de projeções pessimistas associadas à indústria extrativa ajudam a explicar a projeção de expansão “moderada” do PIB estadual, estimada entre 1,1% e 2,3% pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN). Para o país, conforme a Resenha Regional do Banco do Brasil, o crescimnento do PIB deve ser de 1,7%, e o do Nordeste, de 1,3%.

Segundo Pedro Albuquerque, gerente do Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), “o cenário de 2026 não é mais favorável do que aquele observado nos anos anteriores” para o PIB do estado. Para efeito de comparação, ele cita que o dado mais recente publicado pelo IBGE para variação do Produto Interno Bruto dos estados brasileiros mostra um crescimento de 2,9% no Nordeste e de 4,2% no Rio Grande do Norte em 2023.

“As projeções para este ano, neste sentido, apontam uma diminuição da intensidade deste avanço”, analisa Pedro Albuquerque. Como gargalo para a indústria, o gerente do Observatório Mais RN cita aspectos relacionados ao licenciamento ambiental e à baixa previsibilidade regulatória, além de questões de infraestrutura.

“A modernização dos processos de licenciamento, com maior transparência, digitalização, padronização de procedimentos e definição clara de prazos, é fundamental para criar um ambiente mais estável e confiável ao setor produtivo”, explica.

“Na infraestrutura, as limitações logísticas continuam sendo um fator crítico. A precariedade de rodovias estratégicas que conectam municípios e regiões produtoras, a ausência de uma malha ferroviária funcional e a baixa capacidade portuária para movimentação de grandes volumes elevam os custos de transporte e reduzem a eficiência das cadeias produtivas”, acrescenta Albuquerque.

Para o setor de serviços, de acordo com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio RN), Marcelo Queiroz, há três obstáculos centrais: acesso ao crédito, disponibilidade de trabalhadores e logística. “A restrição ao financiamento, decorrente do patamar elevado dos juros, afeta o segmento em todo o país, assim como a falta de mão de obra, resultado do baixo desemprego e da diminuição do contingente de jovens em idade produtiva, reflexo de transformações demográficas”, disse Queiroz.

Para ele, no RN, em especial, as dificuldades logísticas são mais acentuadas do que na média nacional, em razão da precariedade das rodovias estaduais e da limitada oferta de conexões aéreas e marítimas.

Na agropecuária, segundo José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), os principais gargalos são insegurança hídrica em determinadas regiões, custos elevados de produção, deficiências logísticas, especialmente nas estradas vicinais, burocracia ambiental e sanitária e limitações no acesso ao crédito, sobretudo para pequenos e médios produtores.

“A superação desses entraves passa por investimentos consistentes em infraestrutura hídrica e logística, modernização dos instrumentos de crédito rural, fortalecimento da defesa agropecuária e maior racionalidade regulatória, medidas que cabem ao governo, uma vez que é do Executivo o papel criar um ambiente favorável à produção e ao investimento”, afirma Vieira.

Setor de serviços puxará crescimento

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), as estimativas mínima, (mais conservadora) e a máxima (mais otimista) incorporam diferentes cenários para a atividade econômica estadual e refletem, de forma integrada, o desempenho esperado dos principais setores produtivos e o ambiente macroeconômico vigente. Os serviços, que atualmente respondem por 75% do PIB estadual, devem manter a boa escalada de expansão em 2026, na contramão de outros segmentos importantes para o PIB, mas que terão desempenho mais tímido.

De acordo com a Fecomércio RN, em 2025 o setor de serviços registrou crescimento superior a 3%, impulsionado sobretudo pelo turismo, que avançou mais de 5% no estado em termos reais, já com o efeito inflacionário descontado. Além do turismo, outras atividades importantes do setor no Rio Grande do Norte, conforme a Fecomércio, são educação, call center, facilities (limpeza, portaria, jardinagem, segurança e manutenção), saúde, alimentação, RH, transporte e alojamento.

“De fato, o segmento de serviços tende a manter sua trajetória de expansão em 2026, garantindo por mais um exercício o avanço da economia estadual, ao lado do comércio. A continuidade do baixo nível de desemprego, a criação de postos formais, a elevação da renda, além da redução dos juros e da inflação, devem favorecer o desempenho dessas atividades ao longo deste ano”, disse Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN.

Como desafios para o PIB do RN em 2026, a Sedec cita “efeitos adversos” associados à indústria extrativa – de modo especial, a retração da atividade de petróleo. A indústria representa 20% do PIB estadual. Pedro Albuquerque, do Observatório Mais RN, afirma que a participação do setor para formação da projeção do PIB 2026 é de baixo impacto, visto que há previsão de crescimento de apenas +0,5%. “É um índice diretamente relacionado aos desafios da expansão do petróleo e gás, conforme observado pela Pesquisa Industrial Mensal do IBGE 2025”, aponta Albuquerque.

Na agropecuária, que responde por 5% do PIB estadual, a Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) projeta um desempenho “moderadamente positivo”, com melhores perspectivas concentradas na fruticultura irrigada, na pecuária e na aquicultura, especialmente a carcinicultura.

“Essas projeções dependem de condições climáticas minimamente favoráveis, estabilidade macroeconômica, acesso ao crédito em condições adequadas, manutenção e ampliação de mercados, sobretudo externos e um ambiente regulatório previsível”, frisa José Álvares Vieira, presidente da Faern.

Projeção local segue estimativas moderadas do País

As projeções da Resenha Regional do Banco do Brasil mostram que, no Nordeste, a Paraíba deve ser o estado com maior crescimento do PIB em 2026, com mínima de 3,6%, enquanto Pernambuco deverá ter a menor expansão (0,4%). A estimativa para o RN (1,1%) coloca o estado com o quinto maior índice da região, atrás do Ceará (1,2%), Maranhão (2,5%) e Piauí (3,5%), além da PB. Juntamente com Pernambuco, Sergipe (1,0%), Alagoas (0,9%) e Bahia (0,5%) são as unidades federativas do Nordeste que podem ter desempenho abaixo do previsto para o Rio Grande do Norte.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Alan Silveira, explicou que a projeção mínima para o estado está alinhada às estimativas mais moderadas de crescimento da economia brasileira e regional. Já a projeção mais otimista, segundo ele, incorpora um cenário condicional, no qual se pressupõe um desempenho mais favorável da atividade econômica estadual, especialmente nos setores de serviços e indústria, que concentram a maior parcela do PIB estadual.

“Para que o Rio Grande do Norte se aproxime do limite superior da faixa de crescimento projetada, será fundamental o fortalecimento de um conjunto integrado de políticas públicas que dinamizem a atividade produtiva e seja capaz de inserir de maneira competitiva o estado nos mercados nacional e internacional”, falou o secretário.

Ele citou também que o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) se destaca como um instrumento de estímulo à produção local, podendo compensar desafios para a expansão do PIB local, juntamente com ações voltadas à melhoria do ambiente de negócios, à desburocratização, à segurança jurídica e à atração de investimentos.

“Um elemento adicional e estratégico nesse contexto é o Programa RN + Exportação, que tem o objetivo ampliar a presença das empresas potiguares no comércio exterior. Ao estimular a internacionalização das empresas locais, o programa contribui para o aumento da produtividade, a geração de emprego e renda e o fortalecimento dos setores industrial e de serviços, com efeitos diretos sobre o crescimento do PIB estadual”, definiu o secretário.

 

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