O mercado de shows financiados por prefeituras no
Rio Grande do Norte movimentou cifras astronômicas em 2025, ultrapassando a
marca dos R$ 192 milhões. Deste montante a popular Banda Grafith foi quem mais
arrecadou com R$ 5 milhões arrecadados em mais de 50 shows.
No entanto, a distribuição dessa verba revela dois
perfis de “vencedores”: as estrelas nacionais, que garantem lucros milionários
com poucas apresentações, e as lendas locais, que dominam o estado através da
onipresença.
Um levantamento exclusivo, baseado nos dados
consolidados do Painel Festejos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN),
aponta quem foram os campeões de arrecadação no território potiguar este ano.
O Top 10 do Faturamento Acumulado
Diferente do valor de um único cachê, este ranking soma
todos os contratos assinados por cada artista com diferentes prefeituras do RN
ao longo de 2025.
A “Mecânica” do Lucro: Nacional vs.
Regional
A reportagem identificou que a Banda Grafith opera
em uma lógica de mercado distinta das demais. Enquanto Wesley Safadão precisou
de apenas três apresentações para superar a marca dos R$ 3 milhões — com o
recorde de R$ 1,1 milhão em Mossoró —, o Grafith construiu seu império através
da capilaridade. A banda potiguar tocou em quase todas as regiões do estado,
desde grandes carnavais até pequenas emancipações políticas, mantendo uma média
de faturamento que nenhum artista nacional conseguiu bater no acumulado anual.
Por outro lado, nomes como Henry Freitas e Nattan
consolidaram-se como as opções preferidas dos prefeitos para atrair o público
jovem, o que elevou seus cachês em mais de 30% em relação ao ano passado.
Concentração no “Eixo do Dinheiro”
Quase 60% do faturamento total desses 10 artistas
veio de apenas três municípios: Mossoró, Natal e Assú. Essa concentração acende
um alerta nos órgãos de controle. O TCE-RN aponta que, enquanto os grandes
nomes nacionais ficam com as “fatias gordas” do orçamento, os artistas locais
menores (cultura popular, trios de forró e bandas de garagem) dividem menos de
10% da verba total destinada ao setor cultural.
O impacto nos cofres públicos
O gasto médio estadual por atração em 2025 foi de R$
81.252,64. Contudo, para os artistas do Top 10, essa média salta para mais de
R$ 500 mil por contrato.
Gestores defendem que o investimento é necessário
para movimentar o turismo. Já o Ministério Público segue monitorando se esses
gastos não comprometem serviços essenciais, especialmente em cidades que
decretaram estado de emergência durante o ano.


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