A proposta de alterar o Código Penal para mudar a dosimetria
das condenações foi discutida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União
Brasil-AP), e ao menos três ministros do Supremo.
Eles negam ter dado aval à proposta em gestação no
Congresso. Sinalizam, porém, que não devem resistir ao projeto de lei, segundo
três ministros afirmaram à Folha.
Uma ala mais política do Supremo, que tem Alexandre
de Moraes e Gilmar Mendes como expoentes, diz que o tribunal tem aplicado nos
casos de 8 de janeiro as penas previstas na Lei de Defesa do Estado Democrático
de Direito, aprovada pelo Congresso em 2021.
De acordo com essa perspectiva, as críticas às penas
elevadas para os denunciados por golpe de Estado deveriam ser dirigidas aos
congressistas, e não ao Supremo. O ajuste na legislação, como propõe
Alcolumbre, seria uma confissão do Legislativo, disse um ministro sob reserva.
Essa ala no Supremo tem defendido que o STF
conseguiria conter a crise, com a ofensiva bolsonarista por anistia, analisando
individualmente os processos contra os condenados. Essa tática envolve conceder
prisões humanitárias, soltar presos provisórios e autorizar a progressão de
penas ao longo deste ano.
Relator de mais de 1.500 processos do 8 de janeiro,
Moraes chegou a colocar a estratégia em prática. O movimento foi entendido no
Supremo como um gesto do ministro pela pacificação.
De 28 de março até 30 de abril, ele determinou a
soltura de 28 denunciados pelos ataques aos três Poderes. Os casos envolvem
presos provisórios e condenados com problemas de saúde.
Também liberou para julgamento no último mês somente
casos de pessoas que estavam acampadas no Quartel-General do Exército, cujas
penas de um ano de reclusão são substituídas pela obrigação de fazer um curso
sobre democracia e prestar serviços comunitários.
Desde 28 de março, o Supremo julgou 40 casos do 8 de
janeiro. Todos foram condenados a somente um ano de reclusão —exceto a
cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, cujo julgamento foi liberado por Luiz
Fux após pedido de vista (mais tempo para análise).
Outros dois ministros ouvidos pela Folha dizem ser
favoráveis à proposta de redução de penas como alternativa à anistia irrestrita
apoiada pelos bolsonaristas. Eles rejeitam, porém, a tese de que a mudança no
Código Penal seja fruto de um acordo institucional entre o Legislativo e o Judiciário.
Folha de S.Paulo

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