O estoque da dívida ativa do Estado já chegou a R$
10,78 bilhões, conforme mensagem da governadora Fátima Bezerra (PT) enviada à
Assembleia Legislativa, com o propósito de instituir “transação resolutiva de
litigio relativa à cobrança de créditos tributários e não tributários”,
prevendo descontos de até 80% da dívida. Do total, R$ 4,46 bilhões estão
classificados como dívida “irrecuperável. A área econômica do governo quer
arrecadar pelo menos R$ 893 milhões desses débitos. Ou seja, 20% dos R$ 4,46
bilhões. Segundo a mensagem do governo do Estado, a maior parte da dívida ativa
é de ICMS (95,87%).
Na hipótese de transação que envolva pessoa natural
e microempreendedor individual, segundo a proposta do governo, a redução máxima
será de até 80%, com prazo máximo de quitação de até 120 meses.
Antes de ser submetido à deliberação do plenário, o
projeto de lei que renegocia a dívida ativa de contribuintes passará por
avaliação de três Comissões da Casa – a de Constituição, Justiça e Redação
(CCJ), onde já chegou às mãos do presidente, deputado estadual Kleber Rodrigues
(PSDB) para a indicação do relator e daí segue para análise na Comissão de
Finanças e Fiscalização (CFF), cujo presidente é o deputado Coronel Azevedo
(PL) e a de Administração e Serviços Públicos, Trabalho e Segurança Pública,
presidida pelo deputado Luiz Eduardo (SDD).
Como o projeto não chegou na CFF, onde é membro, o
deputado Luiz Eduardo disse que “não fez um exame”, mas lembrou que já vinha
defendendo a securitização da dívida ativa como forma do governo equilibrar as
contas públicas, em que o governo “vende” a dívida a instituições bancárias,
que cobram com ágio aos contribuintes inadimplentes.
“Através do projeto de securitização que foi
aprovado em junho no Congresso Nacional, possibilita que o governo possa
recuperar esse recurso através da Procuradoria Geral do Estado, que pode
negociar diretamente com os seus devedores e além disso, pode pegar esse ativo
negociado em 500 parcelas, em 1.000 parcelas, ir para o mercado e vender esse
ativo com ágio”, defendeu o deputado do SDD em sessão do dia 13 no plenário da
Assembleia, dois dias depois da leitura da mensagem anual.
A própria governadora Fátima Bezerra informa, na
mensagem, que conta com a aprovação desse projeto para amenizar a crise fiscal
do Estado: “Este valor representa uma significativa recuperação financeira para
o Rio Grande do Norte e reforça o propósito da transação tributária em resolver
litígios fiscais e facilitar o ingresso de recursos essenciais ao atendimento
de políticas públicas e ao equilíbrio fiscal estadual”.
Além disso, a governadora diz a proposta foi
discutida com a Fiern, Fecomércio, CDL e o outras instituições, porque “também
contribui para a manutenção de empresas e empregos, impulsiona a atividade
econômica e assegura recursos para políticas públicas.
Para o governo, a partir da análise dos dados e
situações dos débitos inscritos em dívida ativa, incluindo regulamentações
aplicadas por outros estados, “verificou-se que a prioridade inicial para a
regularização via transação deverá recair sobre débitos classificados como
irrecuperáveis, a exemplo dos inscritos há mais de 15 anos e sem garantia ou
suspensão de exigibilidade, dos pertencentes a devedores em recuperação
judicial ou a pessoas jurídicas com situação cadastral de baixa no CNPJ”.
Por ocasião da leitura da mensagem anual na
Assembleia, dia 11, a governadora do Estado já havia informado sobre o envio do
projeto de lei da “Transação Tributária”, estabelecendo regras permanentes para
a regularização de débitos fiscais, “oferecendo condições mais favoráveis e
flexíveis para que as empresas possam quitar suas obrigações” para reduzir a
inadimplência, estimular a recuperação financeira dos contribuintes “e garantir
maior previsibilidade na arrecadação”.
O projeto que se encontra na CCJ, institui, ainda o
“Programa Contribuinte Exemplar”, para reconhecer e premiar empresas que mantêm
sua situação tributária regular. “O programa oferecerá vantagens e incentivos
para os bons pagadores, promovendo uma cultura de conformidade fiscal e justiça
tributária”, disse a chefe do Executivo, na mesma ocasião da leitura da
mensagem anual.
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